Este post demorou e pedimos desculpas. O 2o Sou+Web foi tão interessante, movimentado e rico em discussões, que queríamos lapidar mais a cobertura.
Abaixo, segue resumo do debate por Nino Carvalho. Em seguida, um bate-pronto das perguntas e respostas que acaloraram mesa e platéia.
Lembrando que o 3o Sou+Web acontecerá no dia 8 de Novembro. Em breve, mais detalhes. Prometo que asap. Enquanto isso, role a tela, leia e dê seu voto na enquete: Qual deve ser o próximo tema do encontro?
(Andréa Thompson)
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O segundo debate Sou+Web, realizado pelo curso de pós-graduação em Gestão Estratégica de Marketing Digital da Facha, aconteceu no sábado (18 de outubro) e tratou do tema: Redes Sociais como ferramenta de Comunicação e Marketing. Os debatedores foram: Raphael Perret, Cristina Dissat e Carlos Nepomuceno. A aluna Andréa Thompson atuou como moderadora.
Foram mais de 130 inscrições, e cerca de 65 pessoas atenderam ao evento. A maioria dos participantes já trabalha com comunicação, jornalismo, marketing, tecnologia ou publicidade na web e, com isso, o debate ficou muito rico e quente. Alguns dos participantes só deixaram o auditório da Facha mais de uma hora depois de o evento ter acabado!
As apresentações
Prof Ms Raphael Perret – Analista de Comunicação do BNDES e idealizador do blog Butuca
Perret mostrou como se constroem as redes sociais, falando um pouco sobre a história desse fenômeno, bem como sobre algumas das primeiras ferramentas utilizadas para interação e relacionamento entre internautas, como as listas de discussão por email. Ele também salientou que, para dar certo, qualquer rede social precisa fomentar a interação e afinidades entre seus membros e, acima de tudo, ter muita credibilidade.
> Veja a apresentação de Raphael Perret
> Siga o Twitter do Perret
Cristina Dissat – Sócia-diretora da InforMed e gestora do blog Fim de Jogo
Apresentando o caso de seu blog, Fim de Jogo, Cristina deu exemplos práticos de como fazer sucesso e atrair o público certo utilizando redes sociais. Foi muito interessante conhecer a forma com que ela utiliza o Twitter para manter o público antenado durante os dias de jogo no Maracanã. Segundo ela, o Twitter resolveu o problema de manter o conteúdo quente mesmo em lugares onde não se pode usar laptop (no caso dela, como fica cobrindo o que rola nos entornos do Maracanã em dias de jogo, de fato é bem perigoso ficar andando com um notebook embaixo do braço…).
Além disso, ela destacou a importância de se manter constantemente antenada nas métricas do seu site. O Fim de Jogo usa o Stat Counter e o Google Analytics, e Dissat frequentemente faz modificações no blog baseando-se no que o internauta está “dizendo” com sua navegação e cliques.
> Veja a apresentação de Cris Dissat
> Siga o Twitter do Fim de Jogo
Prof Ms Carlos Nepomuceno – Doutorando em Ciência da Informação pela UFF e consultor de diversas empresas no Brasil
Fechando evento com chave de ouro, Nepomuceno fez uma abordagem muito interessante das Redes Sociais mostrando que a humanidade sempre consegue desenvolver maneiras de manter, gerenciar e compartilhar informações, independentemente do volume.
Assim, da mesma maneira que já foi suficiente armazenar o conhecimento do Homem em algumas centenas de livros, a Internet veio em resposta à quantidade de informação com a qual lidamos nos dias de hoje. Nepomuceno chegou a dizer que ainda veremos outras “ondas” como a Internet no futuro, devido a essa necessidade que temos de gerenciar, produzir e consumir informação.
> Leia o blog do Carlos Nepomuceno
> Siga Nepomuceno no Twitter
> Veja o artigo escrito por ele após o evento
Nino Carvalho
Twitter, Orkut, Facebook, Myspace… Equilibramos nossa “presença” na web com o pouquíssimo tempo que temos pra fazer parte de tudo ao mesmo tempo pra ontem. Não à toa, o futuro da nossa sociedade agorista foi logo tema de pergunta.
Qual o futuro diante de tantas novidades? E a identidade Open Social?
Perret lembrou que o nosso tempo é o mesmo, por mais que as redes aumentem. Que vamos privilegiando os meios que mais se adequem à nossa necessidade. Dissat complementa que o Twitter é perfeito pra realidade do Fim de Jogo, e lembra do nosso desespero de dar conta de tudo o que aparece. No fim, tudo dá certo. E, por outro lado, todos querem aparecer de alguma forma.
Nepomuceno ressalta que nossa tendência é ir pela inteligência, descartar o que não funciona, adaptar, melhorar. Quando a Internet começou, não tínhamos identidade. A sacada do Orkut foi mostrar a fotografia das pessoas, quem é amigo, do que gosta… A Internet virou uma Rede Social Eletrônica (rede social é só o apelido, ele lembra). Então, ganhou uma nova camada: a de ter a nossa cara. Bem mais interessante. E a tendência é que cada camada seja ainda mais inteligente.
Como as empresas devem reagir às redes sociais?
Pólvora! A pergunta é feita por uma profissional da Tim, preocupada com as comunidades que se proliferam sobre a marca, mas que não são criadas pela empresa. Pânico no lago? Nada disso! Dissat fala que um filtro é necessário, que alguém deve receber esses comentários na empresa.
Nepomuceno complementa: assim como o jornalista se vê como o dono do mundo, so does o gestor de mkt. Lança o produto e vê o que o usuário vai achar. E é essa sociedade que rege o novo mercado. A empresa (Tim e outras) deve reverter o processo, olhar o problema sob outra ótica, com a estratégia ligada à rede, não contra o fluxo. O problema se tornaria menor com uma rede social da Tim. Com planos, escolha de celulares, tudo criado pelo próprio usuário. Há que se trazer a idéia das pessoas para as empresas! E por quê? Se a Tim não agradar à clientela, vão lançar a Tom, a Tem… Dissat adiciona que a resposta do mkt agora deve ser mais rápida do que nunca.
Polêmica ganha energia que dá gosto
De celular, migramos para achocolatado. Todos relembram o caso do Nescau: uma comunidade no Orkut faz a Nestlé voltar atrás e relançar a versão original do produto, retirada de circulação. Os usuários não queriam Nescau Power, 2.0, Sbrubles; só queriam o sabor tradicional. Eis o grande poder do usuário.
Bafafá na platéia, puxo a discussão de volta para a mesa. Bato no enter de que nada mais natural a Nestlé, a Tim e qualquer marca atuar mais próxima dos prosumers. Não basta ser consumidor, tem que participar. E todos querem um produto pra chamar de seu. Querem opinar. Querem mudar o mundo. E lutar contra isso é lutar contra a nova (des)ordem do mercado. Everything is miscelaneous. Não à toa a Melissa chamou evangelizadoras para a marca: blogueiras, consumidoras, que interferem na criação dos produtos com idéias criativas. E a campanha do Obama? Quer algo mais participativo?
Considerações finais
Dissat retoma a idéia de colocar “os olhos da gente na rua”, falando do Fim de Jogo e do colaborativismo em torno da cobertura esportiva e jornalística de um modo geral. Que há que se ver a notícia por outro ângulo, do qual ninguém tenha visto, nem publicado nos blogs, ainda.
Nepomuceno fala da Inteligência X Burrice Coletiva. Da troca de conhecimento como construção do conhecimento. Apresenta o ICOX, primeiro software brasileiro de gerenciamento de rede social, desenvolvido pelo ICO e usado no GloboOnliners, Orkuff e outros.
O consultor e pesquisador avisa: o campo de rede social não é só legal e bacaninha, é o futuro. E todas as empresas estão trabalhando com isso. Critica o comportamento acomodado de quem estuda simplesmente pra passar em concurso público e encostar as idéias na cadeira. Cadê o empreendedorismo? Temos que criar outro modelo. É hora de exportar conhecimento. É a hora das redes sociais. É a hora do Gabeira.
A Gabeiramania tomou conta da cidade – e da mesa do Sou+Web. Perret também aproveita para falar das mudanças.
Change we need. We need, mas nóis num have, pelo menos nas eleições. O desfecho da votação foi um passo atrás, mas o saldo do nosso debate teve o pé no futuro, com uma forte boca de urna para que o próximo debate aconteça logo. Agora. Pra ontem. Aguardem.
(Andréa Thompson)




